Devia-me deitar e ouvir-te o conselho, deixar a noite em silêncio; Mas
A vi hoje, serena Primo Vere, a vi encantar mais canários no céu, e minguados seres da Terra.
O dia trajou teu calor prévio, és amena ainda, viestes impregnada da vida, da brisa, do canto. Não a chamareis de precoce, pois que entendo-a, te sentistes só, sentistes a fria presença do inverno e querias amornar essas paragens gélidas.
Devia-me deitar…
As areias me pesam, mas na tua terna presença, deixa-me divagar. Não és o sentimento algo insólito e deveras ingrato? Não o sentimento frívolo, este é superfície, digo aquele que me é ainda incompreensível.
Sinto-o aqui, as vezes no silêncio, outras ele causa-me maresia à cabeça, agride-me o estômago do coração, tal qual o navio traga-nos em náuseas. Indago-a, gentil Primo Vere, como exasperar aos ventos e mares esse mal entendido ainda inarrável?
Eis que cansa-me pensar, as areias me pesam, Acolhe-me em tua quente brisa, bela Primo Vere; Que possamos partir ao relvado do sono, E tuas melodias a embalar-me os sonhos
Deixa-me deitar…
Blanda
26/10/2022
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