Diga-me, Deus, como pode o homem não entender que diminui a si mesmo, e assim permitindo-se infligir o mal, enquanto idealiza nessa Humanidade um Ser ideal?
Lembro-me vivamente, certa vez, um amigo muito próximo me questionando, por que eu não concebia a palavra de Thomas Hobbes, e aqui, para que me entendas você também leitor, Hobbes afirmava em sua visão, que era o Homem mal por natureza.
Eis que eu, bem havendo carinho por esse amigo, tentei entender essas palavras, que reviraram-se tão intensamente em mim. Como alguém poderia concordar com essa afirmação? Do alto de meus privilégios quis descer para me desvencilhar das lentes que talvez me impedissem de compreender, tal como ele me disse. Essa maldade como natureza não me é possível, e talvez de fato não possa compreender, pois sinto tão voraz desacordo, e cada parte de meu corpo eriça e enrijece, debatendo-se em aceitar que seja possível sequer considerá-lo.
Mas, a cada crítica, busquei meus porquês, minha alma sufocava em busca deste acalento, necessitava do conduíte para esta torrente que me implodia. A mim, somente cabe que o homem em sua natureza é bom e sua jornada de experiências o caleja e maltrata, fazendo-o rude, insano e descrente. Esse descaso de dor gerando essa essência violenta, que reflete a busca por justificar esse sofrimento.
Se assim não o fosse, por que, em detrimento de todos os momentos, denominar alguém como "ser humano" é um adjetivo louvável e a quem é misericordioso, afável, alguém cujas ações demonstraram sua parcela de bondade? Esse sujeito humano, usado como sentimento e adjetivo, é elogio e reconhecimento. O homem sabe que sua bondade é natureza, e sua vil personalidade é maquinação moderna.
Se engrandece a pessoa ao chamá-la Humana, então, por que permitem as pessoas a si a maldade, se sua natureza “humana” é um adjetivo de bondade e benevolência com quem precisa? E, além deste manifesto adjetivo, se a maldade fosse inerente às pessoas, por que ao fazê-la é tão doloroso? E por que ver em bom agouro e saúde aos nosso entes queridos nos faz tão bem?
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