Madrugada em Via Sacra!

Ao longe, aquela cidade entulhada,
barulhenta, enfumaçada...
Aqui, o gado no campo
O rebanho no pasto
O orvalho úmido
Tal qual banha as pastagens

E o potro que desvenda
Enfim chega ao galopar

Doce aroma da coxilha relvada
O eucalipto que perfuma o capão
Enobrece os ares, as águas límpidas
Cristalinas num amanhecer...
Retalhos, remendos,
São pequenas as nuvens

As pequenas que colorem um céu
de vermelho, de azul...
Ofuscam, omitem o breu
Na passada noite, Subjugada!

Por que tão naturalmente dizem
"Lugar esquecido por Deus?"
Se mais figura um Paraíso que Abismo!
Avisai que...
Apenas não atingiu a população que o mereceu...

Poucos aqueles de corpo cansado
Pele castigada ao Sol
Adentram manhãs, dominam campos
galopam plantações dia após dia
E enfim, não raro o sorriso insinuado
O abraço almejado e indissimulado

Quem irás na busca a árvores de concreto?
Sorrisos mascarados
Corpos moles, languidos de tensão!
Languescer...
Nas noites!
Nos dias!
Na rua!

By BM
(19/12/2011)

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